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Saúde e cuidados

Cuidados com os cascos e ferração: intervalos, verificação diária e trabalho com o ferrador

Os problemas de cascos começam quase sempre em silêncio: um casco que cresceu um pouco de mais, um rebite levantado, uma sola amolecida por uma semana de chuva. Este artigo mostra como integrar os cuidados com os cascos na rotina diária da cavalariça, como tirar o máximo partido das visitas do ferrador e o que vale a pena registar.

Equipa Equ CrmPublicado: 7 min de leitura
Ilustração de capa: um ferrador a examinar o casco anterior de um cavalo (blogue Equ Crm)
Índice
  1. Porque é que os cascos são trabalho de toda a cavalariça
  2. Intervalos de ferração: não há número mágico, mas há rotina
  3. A verificação diária dos cascos pelo tratador
  4. Quando dar o alarme de imediato
  5. Preparar a visita do ferrador
  6. O que registar
  7. Acompanhar os cascos com o Equ Crm

Porque é que os cascos são trabalho de toda a cavalariça

Toda a gente no mundo dos cavalos conhece o velho ditado: sem casco não há cavalo. O casco suporta o peso todo do cavalo, amortece o impacto a cada passada e ajuda a circulação. Por isso, os seus cuidados não podem ficar entregues a uma visita do ferrador de tantas em tantas semanas. O ferrador faz o trabalho, mas são os tratadores, o treinador e o gestor da cavalariça que veem como o casco vive entre visitas.

Numa cavalariça bem gerida, os cuidados com os cascos assentam em três coisas: um intervalo de ferração regular, verificações diárias e registos completos. Quando uma das três falha, o problema costuma voltar sob a forma de claudicação, de uma ferradura perdida ou de um treino cancelado.

Intervalos de ferração: não há número mágico, mas há rotina

Os cascos crescem continuamente, e o ritmo varia com o cavalo, a estação, a alimentação, o piso e o trabalho. Uma referência geral muito citada é que a maioria dos cavalos ferrados precisa do ferrador a cada 4–8 semanas, muitos deles por volta das 5–6 semanas. Os cavalos descalços também precisam de aparo regular; os intervalos podem ser às vezes um pouco mais flexíveis, mas deixar o casco entregue a si próprio não é opção.

O intervalo certo para cada cavalo é definido pelo ferrador e pelo veterinário. O seu papel é garantir que esse intervalo se cumpre mesmo na agenda. Encare a tabela abaixo como ponto de partida, não como regra.

CavaloIntervalo habitualA ter em conta
Cavalo ferrado em trabalho regularCerca de 5–6 semanasAntecipar a visita antes de uma prova ou de uma época intensa
Cavalo descalço em trabalho ligeiroCerca de 6–8 semanasVigiar o desgaste no piso; anotar fissuras e lascas
Cavalo jovemVerificações mais frequentesAprumos e desenvolvimento acompanhados com o ferrador e o veterinário
Ferração ortopédica ou cavalo em tratamentoPlano definido pelo veterinárioA cooperação entre veterinário e ferrador é essencial; nunca alargue o intervalo por conta própria
Quadro geral de intervalos de ferração (adapte com o ferrador e o veterinário)

A verificação diária dos cascos pelo tratador

O objetivo da verificação diária não é diagnosticar nada, é notar cedo as mudanças. Os cascos de todos os cavalos devem ser limpos e observados pelo menos uma vez por dia, idealmente antes e depois do trabalho. Feita sempre pela mesma ordem, demora poucos minutos.

Verificação diária dos cascos

  • Limpar os quatro cascos; procurar pedras, cravos ou qualquer coisa presa na sola
  • Verificar a ranilha e os sulcos à volta: mau cheiro, secreção escura ou amolecimento
  • Confirmar que cada ferradura está no sítio e firme, não se deslocou e não há rebites levantados
  • Procurar fissuras, lascas ou separações novas na muralha
  • Sentir cada casco com as costas da mão: algum está claramente mais quente do que os outros?
  • Se sentir o pulso digital atrás do boleto e estiver mais forte do que o habitual, anotar
  • Andar alguns passos com o cavalo; ver se há passada irregular, passo curto ou mudança de apoio
  • Registar no próprio dia tudo o que notar e avisar o responsável

Paddocks encharcados e muitas horas na lama, ou o contrário, piso muito seco e duro, afetam a qualidade do casco. Verificar com um pouco mais de cuidado nas mudanças de estação ajuda a reduzir problemas na ranilha e ferraduras perdidas.

Quando dar o alarme de imediato

Há achados que não podem esperar pela próxima visita do ferrador. Nas situações abaixo, avise logo o gestor da cavalariça, que deve chamar o veterinário ou o ferrador, conforme o caso.

  • Claudicação súbita, ou o cavalo não querer apoiar um membro
  • Calor e pulso forte em mais do que um casco, sobretudo se o cavalo jogar o peso para trás
  • Um cravo ou objeto pontiagudo espetado na sola (chamar o veterinário antes de o retirar)
  • Uma fissura na muralha que sangra ou é profunda
  • Ferradura perdida ou meio arrancada, acompanhada de dor

O nosso artigo sobre claudicação e cólica explica com mais detalhe o que observar nas primeiras horas na cavalariça.

Preparar a visita do ferrador

O tempo do ferrador é valioso, e uma visita bem preparada melhora tanto a qualidade do trabalho como a relação entre ambos. Os cavalos devem estar prontos, o espaço seguro e a informação à mão.

  1. Na véspera, confirmar que cavalos vão ser vistos e eventuais notas especiais
  2. Ter os cavalos limpos, com os cascos secos e limpos, num local plano e bem iluminado
  3. Manter à cabeça do cavalo, durante toda a visita, um tratador que o conheça; planear à parte os cavalos difíceis
  4. Informar o ferrador de ferraduras perdidas, claudicações, fissuras ou mudanças de trabalho desde a última visita
  5. Referir provas, transportes ou mudanças de piso que se aproximem
  6. No fim da visita, registar o trabalho feito, as recomendações do ferrador e a data seguinte

A troca de informação entre ferrador e veterinário é decisiva nos cavalos em tratamento. Se houver radiografias, uma nota do veterinário ou uma decisão de ferração ortopédica, guardar essa informação num sítio que o ferrador também veja poupa telefonemas repetidos e mal-entendidos.

O que registar

O historial dos cascos é uma das partes mais esquecidas do processo clínico de um cavalo. No entanto, registos regulares permitem identificar problemas recorrentes, acertar os intervalos e manter o proprietário bem informado.

CampoExemplo de conteúdo
Data e ferradorDia da visita e quem fez o trabalho
Trabalho feitoAparo, ferração nova, reaproveitamento das ferraduras, só verificação
Notas por cascoO que se fez em cada casco, fissuras ou desgaste observados
Tipo de ferradura e materialFerradura utilizada e eventual aplicação especial
RecomendaçõesO que o ferrador ou o veterinário aconselham até à próxima visita
Próxima marcaçãoData prevista
FotosImagens do casco antes e depois, quando úteis
Campos sugeridos para cada visita do ferrador

Acompanhar os cascos com o Equ Crm

No Equ Crm, a ficha de cada cavalo guarda o historial de cascos e ferração numa secção própria, ao lado dos registos de saúde, das vacinas e das informações essenciais. As marcações do ferrador aparecem no calendário semanal juntamente com as do veterinário, do fisioterapeuta e das provas, e o respetivo estado (planeada, chegou, concluída) é acompanhado.

A limpeza e a verificação diária dos cascos podem ser acrescentadas às listas de tarefas dos tratadores, por cavalo e por hora. O tratador marca a tarefa com um toque e junta uma foto se for preciso; o gestor aprova-a ou devolve-a com uma nota. Mesmo numa cavalariça sem rede, as marcações ficam guardadas e são sincronizadas quando a ligação regressa. Com regras de alerta para casos como uma nota de claudicação ou registos em falta, garante que uma situação de risco chega à pessoa certa. Se o seu ferrador trabalha em várias cavalariças, usa uma só conta e vê os dados de cada uma apenas até onde a sua função permite.

Se quiser ver como fica na sua cavalariça, pode pedir uma demonstração. Para a rotina diária completa, veja o nosso guia da rotina do tratador.

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