Porque é que os cascos são trabalho de toda a cavalariça
Toda a gente no mundo dos cavalos conhece o velho ditado: sem casco não há cavalo. O casco suporta o peso todo do cavalo, amortece o impacto a cada passada e ajuda a circulação. Por isso, os seus cuidados não podem ficar entregues a uma visita do ferrador de tantas em tantas semanas. O ferrador faz o trabalho, mas são os tratadores, o treinador e o gestor da cavalariça que veem como o casco vive entre visitas.
Numa cavalariça bem gerida, os cuidados com os cascos assentam em três coisas: um intervalo de ferração regular, verificações diárias e registos completos. Quando uma das três falha, o problema costuma voltar sob a forma de claudicação, de uma ferradura perdida ou de um treino cancelado.
Intervalos de ferração: não há número mágico, mas há rotina
Os cascos crescem continuamente, e o ritmo varia com o cavalo, a estação, a alimentação, o piso e o trabalho. Uma referência geral muito citada é que a maioria dos cavalos ferrados precisa do ferrador a cada 4–8 semanas, muitos deles por volta das 5–6 semanas. Os cavalos descalços também precisam de aparo regular; os intervalos podem ser às vezes um pouco mais flexíveis, mas deixar o casco entregue a si próprio não é opção.
O intervalo certo para cada cavalo é definido pelo ferrador e pelo veterinário. O seu papel é garantir que esse intervalo se cumpre mesmo na agenda. Encare a tabela abaixo como ponto de partida, não como regra.
| Cavalo | Intervalo habitual | A ter em conta |
|---|---|---|
| Cavalo ferrado em trabalho regular | Cerca de 5–6 semanas | Antecipar a visita antes de uma prova ou de uma época intensa |
| Cavalo descalço em trabalho ligeiro | Cerca de 6–8 semanas | Vigiar o desgaste no piso; anotar fissuras e lascas |
| Cavalo jovem | Verificações mais frequentes | Aprumos e desenvolvimento acompanhados com o ferrador e o veterinário |
| Ferração ortopédica ou cavalo em tratamento | Plano definido pelo veterinário | A cooperação entre veterinário e ferrador é essencial; nunca alargue o intervalo por conta própria |
A verificação diária dos cascos pelo tratador
O objetivo da verificação diária não é diagnosticar nada, é notar cedo as mudanças. Os cascos de todos os cavalos devem ser limpos e observados pelo menos uma vez por dia, idealmente antes e depois do trabalho. Feita sempre pela mesma ordem, demora poucos minutos.
Verificação diária dos cascos
- Limpar os quatro cascos; procurar pedras, cravos ou qualquer coisa presa na sola
- Verificar a ranilha e os sulcos à volta: mau cheiro, secreção escura ou amolecimento
- Confirmar que cada ferradura está no sítio e firme, não se deslocou e não há rebites levantados
- Procurar fissuras, lascas ou separações novas na muralha
- Sentir cada casco com as costas da mão: algum está claramente mais quente do que os outros?
- Se sentir o pulso digital atrás do boleto e estiver mais forte do que o habitual, anotar
- Andar alguns passos com o cavalo; ver se há passada irregular, passo curto ou mudança de apoio
- Registar no próprio dia tudo o que notar e avisar o responsável
Paddocks encharcados e muitas horas na lama, ou o contrário, piso muito seco e duro, afetam a qualidade do casco. Verificar com um pouco mais de cuidado nas mudanças de estação ajuda a reduzir problemas na ranilha e ferraduras perdidas.
Quando dar o alarme de imediato
Há achados que não podem esperar pela próxima visita do ferrador. Nas situações abaixo, avise logo o gestor da cavalariça, que deve chamar o veterinário ou o ferrador, conforme o caso.
- Claudicação súbita, ou o cavalo não querer apoiar um membro
- Calor e pulso forte em mais do que um casco, sobretudo se o cavalo jogar o peso para trás
- Um cravo ou objeto pontiagudo espetado na sola (chamar o veterinário antes de o retirar)
- Uma fissura na muralha que sangra ou é profunda
- Ferradura perdida ou meio arrancada, acompanhada de dor
O nosso artigo sobre claudicação e cólica explica com mais detalhe o que observar nas primeiras horas na cavalariça.
Preparar a visita do ferrador
O tempo do ferrador é valioso, e uma visita bem preparada melhora tanto a qualidade do trabalho como a relação entre ambos. Os cavalos devem estar prontos, o espaço seguro e a informação à mão.
- Na véspera, confirmar que cavalos vão ser vistos e eventuais notas especiais
- Ter os cavalos limpos, com os cascos secos e limpos, num local plano e bem iluminado
- Manter à cabeça do cavalo, durante toda a visita, um tratador que o conheça; planear à parte os cavalos difíceis
- Informar o ferrador de ferraduras perdidas, claudicações, fissuras ou mudanças de trabalho desde a última visita
- Referir provas, transportes ou mudanças de piso que se aproximem
- No fim da visita, registar o trabalho feito, as recomendações do ferrador e a data seguinte
A troca de informação entre ferrador e veterinário é decisiva nos cavalos em tratamento. Se houver radiografias, uma nota do veterinário ou uma decisão de ferração ortopédica, guardar essa informação num sítio que o ferrador também veja poupa telefonemas repetidos e mal-entendidos.
O que registar
O historial dos cascos é uma das partes mais esquecidas do processo clínico de um cavalo. No entanto, registos regulares permitem identificar problemas recorrentes, acertar os intervalos e manter o proprietário bem informado.
| Campo | Exemplo de conteúdo |
|---|---|
| Data e ferrador | Dia da visita e quem fez o trabalho |
| Trabalho feito | Aparo, ferração nova, reaproveitamento das ferraduras, só verificação |
| Notas por casco | O que se fez em cada casco, fissuras ou desgaste observados |
| Tipo de ferradura e material | Ferradura utilizada e eventual aplicação especial |
| Recomendações | O que o ferrador ou o veterinário aconselham até à próxima visita |
| Próxima marcação | Data prevista |
| Fotos | Imagens do casco antes e depois, quando úteis |
Acompanhar os cascos com o Equ Crm
No Equ Crm, a ficha de cada cavalo guarda o historial de cascos e ferração numa secção própria, ao lado dos registos de saúde, das vacinas e das informações essenciais. As marcações do ferrador aparecem no calendário semanal juntamente com as do veterinário, do fisioterapeuta e das provas, e o respetivo estado (planeada, chegou, concluída) é acompanhado.
A limpeza e a verificação diária dos cascos podem ser acrescentadas às listas de tarefas dos tratadores, por cavalo e por hora. O tratador marca a tarefa com um toque e junta uma foto se for preciso; o gestor aprova-a ou devolve-a com uma nota. Mesmo numa cavalariça sem rede, as marcações ficam guardadas e são sincronizadas quando a ligação regressa. Com regras de alerta para casos como uma nota de claudicação ou registos em falta, garante que uma situação de risco chega à pessoa certa. Se o seu ferrador trabalha em várias cavalariças, usa uma só conta e vê os dados de cada uma apenas até onde a sua função permite.
Se quiser ver como fica na sua cavalariça, pode pedir uma demonstração. Para a rotina diária completa, veja o nosso guia da rotina do tratador.

